Este planejamento foi criado para munir os municípios das regiões hidrográficas Médio Paraíba do Sul, Piabanha, Rio Dois Rios e Baixo Paraíba do Sul e Itabapoana, afluentes fluminenses ao rio Paraíba do Sul e integrantes do Contrato de Gestão Inea nº 01/2010, de projetos de sistema de esgotamento sanitário, visando a contribuir com a universalização desses serviços nos municípios abrangidos e ao cumprimento do disposto em lei.
O documento traz como objeto a contratação de projetos básicos e executivos e respectivos estudos de concepção, estudos ambientais e serviços técnicos necessários, para os municípios hierarquizados pelos Comitês em suas áreas de abrangência, bem como contratação de gerenciadora técnica de projetos para acompanhamento e análise técnica dos projetos elaborados.
Durante o ano de 2011, foi iniciada uma rede de estudos aprovada pela FINEP denominada HIDROECO. Essa rede é composta de diferentes universidades e instituições ambientais trabalhando em diferentes bacias hidrográficas no Brasil com o intuito de determinar as vazões ecológicas em diferentes ambientes e diferentes realidades.
Dentro desta rede existe um grupo composto pela UFRJ, INEA, CPRM CETEM que tem como alvo a determinação de vazões ambientais na bacia do Rio Piabanha. Deste grupo, a gerência de qualidade de água do INEA que monitora sistematicamente a qualidade de água em duas estações de amostragem na calha principal do rio Piabanha propôs ampliar esse monitoramento para nove estações de amostragem durante um período mínimo de um ano.
Dentro desta rede existe um grupo composto pela UFRJ, INEA, CPRM CETEM que tem como alvo a determinação de vazões ambientais na bacia do Rio Piabanha. Deste grupo, a gerência de qualidade de água do INEA que monitora sistematicamente a qualidade de água em duas estações de amostragem na calha principal do rio Piabanha propôs ampliar esse monitoramento para nove estações de amostragem durante um período mínimo de um ano.
Os resultados deste trabalho encontram-se disponíveis no Relatório de Monitoramento do Rio Piabanha.
Caracterização Municipal
Diagnóstico
Prognóstico
Plano de Gerenciamento, Operação e Manutenção dos Sistemas de
Micro e Macrodrenagem do Município de Petrópolis/RJ.
O referido Plano é resultado de ação priorizada no âmbito do Plano
de Bacia da Região Hidrográfica Piabanha, com recursos do Comitê Piabanha, e
foi desenvolvido no contexto das discussões interinstitucionais intensificadas
após os eventos hidrológicos extremos ocorridos em fevereiro de 2022. O projeto
teve como objetivo principal subsidiar o município na definição de diretrizes
técnicas, operacionais e institucionais para o gerenciamento, a operação e a
manutenção dos sistemas de micro e macrodrenagem, com foco na mitigação de
enchentes no centro histórico de Petrópolis e na redução de seus impactos à
jusante, considerando as bacias hidrográficas urbanas do município.
Nesse sentido, o Plano apresenta subsídios técnicos para o planejamento e a gestão da drenagem urbana, contribuindo para a definição de responsabilidades, rotinas operacionais, estratégias de manutenção e integração com as políticas públicas de saneamento, recursos hídricos, defesa civil e adaptação às mudanças climáticas.
O Plano constitui importante instrumento técnico de apoio à gestão
municipal, podendo subsidiar ações futuras, programas, projetos e investimentos
voltados à melhoria da drenagem urbana e à redução da vulnerabilidade do
município frente a eventos extremos.
Acesse aqui o livro "Petrópolis: As águas no tempo e nos caminhos da cidade"
Pedro Henrique de Lima Silva (UERJ); Rafaela Facchetti Assumpção (ENSP e Comitê Piabanha); Francisco Dourado (UERJ); Cilene Victor (Universidade Metodista de São Paulo e FGV LAW)
As águas no tempo e nos caminhos da cidade
Há cidades que parecem feitas de pedra e história. Outras, de memória e água. Petrópolis, talvez, seja um pouco de tudo isso. Criada como projeto imperial e planejada sob a promessa de ordem urbana e paisagem bucólica, a cidade cresceu entre vales e morros, atravessada por rios que, ao longo do tempo, também escreveram sua própria narrativa. Neste livro, convidamos você a caminhar entre imagens e palavras que revelam essa trajetória marcada pelo encantamento e pela beleza, mas também pelo trauma e pela força avassaladora das águas.
A proposta deste livro-álbum é entrelaçar as camadas da história de Petrópolis com as das inundações que moldaram seu presente. Ele nasce do desejo de reunir a força da pesquisa acadêmica a imagens e memórias, transformando o conhecimento em diálogo público. Em especial, tomamos como base duas produções científicas: a dissertação de mestrado de Pedro Henrique de Lima Silva, apresentada no Mestrado Profissional em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos (ProfÁgua/UERJ), sob orientação do Prof. Dr. Francisco de Assis Dourado da Silva, e a tese de doutorado de Rafaela dos Santos Facchetti Vinhaes Assumpção, desenvolvida na Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), sob orientação da Profa. Dra. Débora Cynamon Kligerman e coorientação da Profa. Dra. Simone Cynamon Cohen. A partir desses dois estudos e de seus referenciais teórico-conceituais, o livro busca tornar mais acessível a pesquisa de impacto social e, ao fazê-lo, contribuir para uma partilha e um debate mais amplos sobre o presente e o futuro de Petrópolis, também desenhados pelas montanhas e pelas águas.
Organizado em cinco partes, o livro propõe um percurso que é, ao mesmo tempo, histórico e afetivo. Na primeira, Caminhando pela História de Petrópolis, revisitamos o plano idealizado pelo engenheiro Júlio Frederico Koeler e os fundamentos da Cidade Imperial, uma urbanização racional que não resistiu às pressões do crescimento desordenado, da especulação fundiária e da leniência do poder público ao longo das décadas.
A segunda parte, Ao longo do caminho, a inundação, retoma a cronologia dos desastres desde o século XIX até as tragédias recentes, como as de janeiro de 2011, no contexto do maior desastre ambiental da história do Brasil, e as de fevereiro e março de 2022, que mais uma vez revelaram o descompasso entre a magnitude das inundações e a vulnerabilidade da cidade. Ambas as seções estão amparadas na pesquisa de Rafaela Facchetti Assumpção, ao apontarem como a negligência ao Plano Koeler, a ocupação de áreas de risco e a ausência de políticas habitacionais efetivas se somaram à precariedade da gestão urbana para compor um cenário recorrente de risco e sofrimento.
Na terceira parte, As inundações nos jornais, observamos como a mídia registrou esses eventos, desde os primeiros relatos no século XIX até os noticiários atuais. A seleção de imagens e manchetes torna explícita não apenas a frequência dos desastres, mas também a narrativa repetida de surpresa e impotência, como se não houvesse memória institucional nem aprendizado acumulado.
Na quarta parte, Entre soluções e esperança, com base na dissertação de Pedro Lima, discutimos as inúmeras propostas elaboradas ao longo da história para enfrentar as inundações, muitas delas esquecidas ou jamais executadas. A seção apresenta também diretrizes recentes que articulam soluções baseadas na natureza, obras de engenharia, políticas públicas e participação social. A cidade, que tantas vezes testemunhou a força da água, precisa agora ser capaz de transformar esse conhecimento em ação.
Ao final, na quinta parte, Inundação em debate, acrescentamos a narrativa de dois seminários promovidos pelo Comitê Piabanha, pelo Ministério Público, pela Rede Ser.ra, pelos Vigilantes da Chuva e pelas instituições de ensino e pesquisa CEFET, UniFASE e ENSP. O primeiro ocorreu em 25 de abril de 2024 e o segundo em 30 de abril de 2025, ambos realizados no auditório da UniFASE/Petrópolis. Intitulados, provocativamente, “Existem Soluções para as Inundações de Petrópolis?” e “Existem Soluções para as Inundações de Petrópolis? - Respostas”, os encontros trouxeram a discussão técnica para a sociedade petropolitana e abriram espaço para que o público ouvisse e opinasse sobre possíveis soluções. Ambos foram transmitidos on-line pelo canal do Comitê Piabanha no YouTube, cujas gravações permanecem disponíveis.
Este livro não busca romantizar a catástrofe nem oferecer soluções fáceis. Ao reunir registros fotográficos, documentos históricos, pesquisas acadêmicas e memórias urbanas, pretende contribuir para uma leitura mais crítica e, ao mesmo tempo, afetiva da cidade. Porque Petrópolis é feita também daquilo que a água não levou: a resiliência e o sentimento de pertencimento das pessoas que a habitam, a memória que resiste e a esperança que insiste em reconstruir.